Com o agravamento da crise global no setor de cacau, comerciantes e exportadores, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, estão enfrentando sérias dificuldades para operar. O que antes era um mercado relativamente estável passou a ser dominado pelos grandes fabricantes de chocolate, que impõem condições cada vez mais desfavoráveis aos intermediários.
Uma das estratégias adotadas pelas indústrias tem sido a assinatura de contratos parciais. Em vez de garantir a compra de volumes completos de cacau, empresas como Nestlé, Mars e Hershey preferem comprometer-se com frações dos pedidos, deixando o restante em aberto. Essa prática aumenta a insegurança e torna a gestão de estoques um desafio para os comerciantes.
A disparada dos preços internacionais, que ultrapassaram os US$ 10 mil por tonelada em 2024, não trouxe alívio para os exportadores. Apesar do aumento expressivo, os compradores internacionais não acompanham esse movimento com a mesma disposição para pagar mais, o que força os operadores intermediários a absorverem os riscos do mercado.
Além disso, os grandes grupos multinacionais como Cargill, Barry Callebaut e Olam têm oferecido bônus elevados aos produtores locais, chegando a triplicar os valores pagos, numa corrida por grãos escassos. Esse cenário de concorrência acirrada acaba excluindo os comerciantes de menor porte, que não têm capital suficiente para competir com esses incentivos.
A escassez de matéria-prima e os altos custos operacionais também vêm comprometendo a logística e a liquidez das empresas locais. Muitos comerciantes estão enfrentando dificuldades para honrar contratos e manter suas operações, especialmente diante da instabilidade cambial e da redução no crédito disponível.
Mesmo com esforços por parte das autoridades da Costa do Marfim e de Gana para tentar regular o mercado e proteger os agentes locais, o desequilíbrio de forças favorece os grandes compradores internacionais, que acabam controlando os fluxos comerciais e os preços na origem.
Especialistas alertam que, caso não haja uma intervenção mais eficaz dos governos e uma revisão nas regras comerciais, há risco de colapso de parte significativa dos operadores intermediários, justamente os que fazem a ponte entre produtores e mercados globais.
Fonte: Cacau Hoje com informações de Africa Intelligence
