Os contratos futuros do cacau voltaram a subir nesta quarta-feira nas bolsas de Londres e Nova York, revertendo parte das perdas acumuladas nas últimas semanas. A valorização ocorreu em meio à intensificação das preocupações com o fornecimento de amêndoas na África Ocidental, principal região produtora mundial.
Em Londres, o cacau teve alta de 2,1%, sendo negociado a £5.510 por tonelada métrica por volta das 13h08 GMT. O movimento representou uma recuperação frente à mínima de oito meses registrada na última segunda-feira, quando os contratos chegaram a £5.280. Já em Nova York, a valorização foi de 2,4%, com a tonelada atingindo US$ 8.282.
A melhora climática observada recentemente na África Ocidental havia contribuído para uma tendência de baixa nos preços, impulsionada também por uma leve recomposição dos estoques globais. No entanto, novas avaliações de campo indicam que os efeitos das chuvas não foram suficientes para conter a elevada taxa de mortalidade de flores e vagens jovens em junho.
A expectativa agora é de que a safra 2025/2026 da região registre uma retração de 10% em relação ao ciclo anterior. Essa projeção substitui previsões anteriores mais otimistas, que indicavam possível aumento de até 5% na produção. Costa do Marfim e Gana, os dois maiores produtores globais, além de Nigéria e Camarões, deverão concentrar essa nova queda. As incertezas quanto ao rendimento das lavouras nessas nações mantêm os mercados em alerta e sustentam a atual pressão altista sobre os preços do cacau.
Para o Brasil, que responde por uma fatia menor da produção mundial, o cenário oferece uma oportunidade estratégica. A valorização nas bolsas internacionais pode beneficiar os produtores nacionais, sobretudo aqueles que atuam com amêndoas de qualidade superior ou integrados a mercados diferenciados. No entanto, o setor brasileiro segue vulnerável à ausência de políticas de suporte técnico, à falta de previsões oficiais de safra e à presença de doenças como a Moníliase, que já foi identificada no país e exige atenção por parte das autoridades e instituições de pesquisa.
O momento reforça a necessidade de ações estruturantes no país, para que os produtores possam se posicionar de forma competitiva e aproveitar a janela de valorização global do cacau.
Fonte: Cacau hoje com informações de Reuters
