A Mondelez International, uma das principais multinacionais do setor de chocolates, defende um novo adiamento na entrada em vigor da Lei do Desmatamento da União Europeia, que deve proibir, a partir de dezembro de 2025, a comercialização de produtos como cacau, café e óleo de palma vinculados ao desmatamento.
A empresa alega que a indústria enfrenta um momento de extrema instabilidade, com preços historicamente altos e dificuldades de fornecimento que já comprometem a operação de diversas marcas. Para a Mondelez, a imposição de novas exigências regulatórias, nesse contexto, tende a fragilizar ainda mais o setor, ameaçando a competitividade de uma cadeia produtiva que movimenta cerca de 70 bilhões de euros por ano na Europa.
Internamente, a avaliação da companhia é que o setor precisa de mais tempo para adaptação às exigências da nova legislação. O argumento é que uma implementação apressada poderá gerar desorganização nos fluxos logísticos, aumento nos custos e insegurança jurídica para os exportadores. Por isso, a empresa propõe que o prazo seja estendido por mais 12 meses, permitindo ajustes técnicos e operacionais que garantam o cumprimento da norma sem prejuízos econômicos.
A discussão tem gerado diferentes posicionamentos entre as grandes marcas do setor. Enquanto europeias como Nestlé e Ferrero se manifestaram oficialmente a favor da legislação e de sua implementação no prazo previsto, companhias norte-americanas como Mars e Hershey evitaram endossar a manifestação enviada ao Parlamento Europeu, indicando resistência quanto ao momento e às condições do processo. Ambas, no entanto, declararam manter apoio aos objetivos centrais da legislação ambiental.
A proposta da União Europeia, que já havia sido prorrogada uma vez, é considerada uma das mais rigorosas do mundo em termos de rastreabilidade e responsabilidade ambiental na cadeia de suprimentos. Ela exige que empresas provem que seus produtos não estão associados a áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020, sob pena de bloqueio de importação e penalidades administrativas.
No entanto, governos de países exportadores, representantes do agronegócio e setores conservadores da política europeia têm pressionado por mais flexibilidade, argumentando que a aplicação da medida, nos moldes atuais, é tecnicamente difícil e economicamente arriscada.
Essa controvérsia acontece em meio a um mercado global de cacau ainda pressionado por fatores climáticos e fitossanitários na África Ocidental. Reduções significativas nas safras da Costa do Marfim e de Gana, somadas a problemas logísticos, provocaram uma disparada nos preços nos últimos meses. Embora os valores tenham recuado desde o pico de US$ 12 mil por tonelada, ainda permanecem em torno de US$ 4 mil acima da média histórica, mantendo a pressão sobre produtores, processadores e indústrias.
Diante desse cenário, a expectativa é de que o debate sobre prazos, responsabilidades e viabilidade da legislação se intensifique nas próximas semanas, especialmente com a aproximação do prazo-limite para cumprimento das novas regras.
Fonte: Cacau Hoje com informações de Financial Times
