O setor de mineração de ouro de Gana segue em trajetória de expansão. A produção do país, já o maior produtor do metal precioso na África, deve crescer 6,25% em 2025, alcançando 5,1 milhões de onças, de acordo com projeções da Câmara de Minas. Contudo, enquanto o ouro brilha nos cofres nacionais, sua extração informal, o chamado Galamsey, segue ofuscando outro tesouro ganês: o cacau.
Impulsionada por altas nos preços globais e pela entrada de novas operações industriais, a produção de ouro de Gana cresceu 19,3% em 2024. Uma fatia expressiva desse crescimento, cerca de 39,4%, veio da mineração artesanal. Estima-se que até 80% desses mineradores atuem sem licenciamento ambiental ou regularização fundiária.
Embora gere emprego e renda, o Galamsey tem impactos ambientais profundos. As escavações ilegais destroem rios, contaminam solos e devastam áreas agrícolas, especialmente regiões de floresta onde tradicionalmente se cultiva cacau. Esse cenário tem gerado um conflito silencioso entre dois pilares da economia de Gana: a mineração de ouro e a produção de cacau.
O governo vem tentando controlar os danos. A criação do órgão GoldBod, a eliminação de impostos retidos na fonte e medidas para conter o contrabando foram implementadas para organizar o setor. A meta: canalizar a produção informal para o mercado formal, sem anular o potencial econômico da atividade. Ainda assim, os impactos sobre o território agrícola permanecem.
Segundo ambientalistas locais, o avanço desordenado da mineração artesanal compromete áreas inteiras de lavoura de cacau, forçando agricultores a abandonar plantações. O paralelo com o Galamsey é claro: assim como a atividade clandestina impacta as minas legais, ela também pressiona negativamente a sustentabilidade da principal cultura agrícola do país.
Enquanto o ouro impulsiona a recuperação econômica de Gana após uma grave crise, os riscos da mineração desenfreada exigem equilíbrio entre progresso econômico e preservação ambiental. Caso contrário, o país pode trocar um recurso valioso por outro, deixando o cacau, símbolo cultural e motor econômico, afundar na lama do garimpo ilegal.
Fonte: Cacau Hoje com informações de Reuters
