DEMANDA RESILIENTE SURPREENDE E IMPULSIONA MOAGEM DE CACAU NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2025

Moagem de cacau supera expectativas no 1º trimestre de 2025, aponta Hedgepoint Global Markets Apesar de um cenário global desafiador, a moagem de cacau no primeiro trimestre de 2025 surpreendeu positivamente, segundo análise da Hedgepoint Global Markets. O desempenho mais forte, aliado ao aumento de 5,6% na moagem da Costa do Marfim em março, indica […]

Moagem de cacau supera expectativas no 1º trimestre de 2025, aponta Hedgepoint Global Markets

Apesar de um cenário global desafiador, a moagem de cacau no primeiro trimestre de 2025 surpreendeu positivamente, segundo análise da Hedgepoint Global Markets. O desempenho mais forte, aliado ao aumento de 5,6% na moagem da Costa do Marfim em março, indica uma demanda mais firme do que o previsto.

Nos últimos meses, o mercado de cacau tem enfrentado intensa volatilidade. A redução da produção em países-chave como Costa do Marfim e Gana, os dois maiores produtores mundiais, elevou os preços da commodity a patamares recordes.

O aumento no custo das amêndoas pressionou diretamente a indústria de chocolates, encarecendo a produção e impactando os resultados financeiros das empresas processadoras, que repassaram parte desses aumentos ao consumidor final.

No Brasil, por exemplo, os preços dos chocolates subiram expressivamente em 2025, com reajustes superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), afetando produtos como barras de chocolate e cacau em pó. Esse movimento também se refletiu em índices como o HICP na Europa e o PPI nos Estados Unidos.

De acordo com Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, a expectativa até então era de retração no consumo global de cacau, o que vinha exercendo uma pressão de baixa sobre os preços. “Esse pessimismo se agravou após o ‘Dia da Libertação’ do ex-presidente Donald Trump, que reacendeu os temores de recessão global e provocou novas tarifas comerciais em mercados estratégicos”, afirma.

Contudo, os dados divulgados pouco antes da Páscoa, na semana de 14 de abril, contrariaram as previsões. As associações de processadores registraram quedas menores que o esperado na moagem do primeiro trimestre: Europa caiu 3,7%, Ásia 3,4% e Estados Unidos 2,5% em relação ao mesmo período de 2024.

O crescimento de 5,6% na moagem marfinense em março reforçou a visão de que a demanda global permanece resiliente. Como reflexo, os preços se recuperaram: os contratos futuros com vencimento em julho de 2025 subiram 4,8% em Nova York (USD 9.117 por tonelada) e 6,4% em Londres (GBP 6.435 por tonelada).

Apesar da reação positiva, o mercado segue instável. No dia 24 de abril, os preços voltaram a recuar, demonstrando que a demanda ainda inspira cautela.

Outro ponto de atenção é o conflito comercial entre Estados Unidos e China. Mesmo com a suspensão temporária das tarifas por 90 dias, há preocupação com seus possíveis impactos sobre o consumo global.

Por fim, a Hedgepoint ressalta que o comportamento do clima na África Ocidental será decisivo nas próximas semanas. O padrão das chuvas influenciará diretamente a produção da safra intermediária e o início da temporada 2025/26 na Costa do Marfim, sendo um fator-chave na formação dos preços futuros.

Fonte: Rural News.

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