CRISE DO CACAU EXPÕE COLAPSO DA PRODUÇÃO DE CACAU NA ÁFRICA OCIDENTAL

A disparada dos preços do chocolate nos mercados internacionais, com aumentos superiores a 10% em países como Estados Unidos e Reino Unido, escancara uma crise estrutural nas origens da cadeia produtiva. Gana e Costa do Marfim, que juntos respondem por mais da metade da oferta mundial de cacau, enfrentam uma combinação devastadora de eventos: mudanças […]

A disparada dos preços do chocolate nos mercados internacionais, com aumentos superiores a 10% em países como Estados Unidos e Reino Unido, escancara uma crise estrutural nas origens da cadeia produtiva. Gana e Costa do Marfim, que juntos respondem por mais da metade da oferta mundial de cacau, enfrentam uma combinação devastadora de eventos: mudanças climáticas, má gestão pública e surtos severos de doenças fúngicas, como o Vírus do Inchaço do Broto do Cacau (CSSVD) e a Phytophthora Megakarya,  uma das principais responsáveis pela podridão preta do fruto.

A produção vem sendo duramente afetada. Gana, por exemplo, revisou sua meta de safra para baixo, estimando apenas 500 mil toneladas métricas, ante os 800 mil inicialmente previstos. As perdas econômicas afetam não apenas a oferta global, mas colocam em risco a economia nacional, altamente dependente da exportação do cacau.

Apesar da valorização do produto no mercado, os pequenos agricultores continuam à margem dos lucros. A maioria recebe menos de 7% do preço final do chocolate e sobrevive com rendas diárias inferiores ao mínimo necessário para uma vida digna. O impacto social é profundo, dificultando o acesso à educação, saúde e à manutenção das lavouras.

Especialistas alertam que sem investimentos urgentes em replantio, combate a pragas e mecanismos de precificação justa, a sustentabilidade da produção está comprometida. Além disso, cresce o apelo por um “diferencial de renda digna”, que permita aos produtores ultrapassar a linha da sobrevivência e participar de forma justa da cadeia multibilionária do cacau.

O cenário atual impõe um chamado global à ação: garantir uma produção sustentável e uma cadeia mais equitativa, capaz de proteger tanto os consumidores quanto os verdadeiros alicerces dessa indústria, os agricultores.

Fonte: Cacau Hoje com informações de Gbcghanainline.com

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