As chuvas excessivas que atingiram as principais regiões produtoras de cacau na Costa do Marfim na última semana estão gerando crescente preocupação entre os agricultores. A intensidade das precipitações ameaça o bom andamento da colheita intermediária, que ocorre entre abril e setembro, segundo relatos colhidos nesta segunda-feira.
A temporada de chuvas no país, o maior produtor de cacau do mundo, vai de abril até meados de novembro e, embora habitual, os volumes registrados recentemente ultrapassaram significativamente a média histórica.
Em localidades como Soubre, no oeste marfinense, o acumulado chegou a 114,5 milímetros, superando em mais de 56 mm a média dos últimos cinco anos. Se as chuvas intensas continuarem, as plantações poderão ser alagadas, levando a perdas severas. O cenário se repete em regiões como Agboville e Divo, no sul do país, e Abengourou, no leste, onde os volumes de chuva também ficaram bem acima do esperado.
O excesso de umidade dificulta o processo de secagem das amêndoas de cacau, o que eleva o risco de proliferação de fungos e deterioração da qualidade dos grãos. Agricultores relatam dificuldade para lidar com a pouca incidência de sol e o céu constantemente encoberto.
Apesar do cenário preocupante, algumas áreas centrais como Daloa, Bongouanou e Yamoussoukro demonstraram otimismo moderado, que registrou 33 mm de chuvas na última semana, ligeiramente acima da média local.
As temperaturas na semana variaram entre 24,8 °C e 28,4 °C, valores típicos da estação, mas que, combinados à alta umidade, exigem atenção redobrada para evitar o surgimento de pragas e doenças nos cacaueiros.
Fonte: Reuters
