17 de julho de 2025 – Os preços do cacau registraram queda expressiva no mercado internacional nesta quinta-feira. O contrato para setembro do cacau negociado na ICE de Nova York recuou 4,32%, enquanto o equivalente na ICE de Londres caiu 5,10%. Os recuos levaram os contratos às mínimas de oito e dezessete meses, respectivamente.
A retração é atribuída principalmente à diminuição da demanda global. Dados divulgados pela Associação Europeia do Cacau mostram que a moagem do produto no segundo trimestre teve uma queda anual de 7,2%, superando as expectativas de recuo de 5%. Na Ásia, a Associação do Cacau da região relatou uma queda ainda mais significativa: 16,3% na moagem, o menor volume em oito anos para esse período.
A preocupação com a demanda se intensificou após a Barry Callebaut AG, uma das maiores fabricantes de chocolate do mundo, revisar para baixo sua projeção de volume de vendas pela segunda vez em três meses. A empresa reportou uma queda de 9,5% nas vendas entre março e maio, o pior desempenho trimestral em uma década.
Outro fator que pressionou os preços foi o aumento nos estoques monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos, que atingiram um pico de dez meses em junho.
Contudo, processadores têm alertado sobre a qualidade inferior do cacau da meia-safra na Costa do Marfim, com relatos de que 5% a 6% dos grãos por caminhão são considerados inadequados, ante 1% na safra principal. A má qualidade estaria relacionada ao atraso nas chuvas, segundo análise do Rabobank. A expectativa para a meia-safra atual é de 400 mil toneladas, número 9% inferior ao do ano passado.
Por fim, a Organização Internacional do Cacau (ICCO) atualizou sua estimativa de déficit global para 2023/24 para 494 mil toneladas métricas, o maior em mais de seis décadas. A produção mundial sofreu retração de 13,1%, enquanto a relação estoques/moagem caiu ao nível mais baixo em 46 anos.
Fonte: Cacau Hoje com informações de Barchart
