ATAQUE AO CACAU NACIONAL: O QUE ESTÁ POR TRÁS DA QUEDA DOS PREÇOS DO CACAU

O início da safra temporã de cacau no Brasil, como já era previsto, ocorre de forma tímida, com volumes modestos sendo registrados na primeira semana de maio. No entanto, o que surpreendeu o setor foi a reação imediata e agressiva das moageiras, que se anteciparam ao mercado e impuseram quedas significativas nos preços pagos ao […]

O início da safra temporã de cacau no Brasil, como já era previsto, ocorre de forma tímida, com volumes modestos sendo registrados na primeira semana de maio. No entanto, o que surpreendeu o setor foi a reação imediata e agressiva das moageiras, que se anteciparam ao mercado e impuseram quedas significativas nos preços pagos ao produtor.

As indústrias abandonaram a base de julho/25 e migraram para setembro/25, com uma diferença negativa até ontem dia 07/05/25 em torno de US$ 300 por tonelada, derrubando também os prêmios (ágios) em 50%, de US$ 1.000 a menor. Em termos práticos, isso significou uma queda de cerca de R$ 100 por arroba, reduzindo o valor pago de R$ 900 (novecentos reais) para R$ 800 (oitocentos reais) a @ do cacau.

Essa prática de manipulação indireta das bases de referência da bolsa, por meio da antecipação de contratos futuros e da compressão artificial dos ágios, não é recente. Ela vem sendo observada desde o ano passado, justamente quando os preços internacionais do cacau dispararam e o mercado começou a registrar sinais claros de escassez global. Na tentativa de proteger suas margens de lucro, as indústrias passaram a operar estrategicamente no mercado futuro, contribuindo para redução dos preços pagos ao produtor.

Essa prática, tem causado revolta dos produtores, que há décadas vem sendo penalizado por preços baixos. Justo agora, quando o mercado internacional aponta escassez, preços históricos e possibilidade de valorização no campo, surgem mecanismos para conter essa alta de forma artificial.

Como se não bastasse, há a previsão da chegada de mais um navio com amêndoas africanas neste mês de maio. Além dos riscos fitossánitários, com possibilidade de entrada de doenças e pragas africanas que ameaçam a produção nacional, esse movimento pode servir de pretexto para novas pressões nos preços internos. Se já começaram a reduzir os ágios agora, o que esperar quando essa carga desembarcar?

Essas manobras frequentes por parte da indústria não apenas ferem a transparência do mercado, como também desanimam profundamente o setor produtivo. A produção de cacau exige planejamento, investimento e, sobretudo, segurança de que o produtor não será, mais uma vez, a principal vítima do apetite por lucros das grandes empresas. Se agora, com uma oferta ainda tímida, os produtores já assistem a esse tipo de manipulação, o que esperar quando o Brasil ampliar sua produção? A tendência é que os preços sejam ainda mais esmagados, desvalorizando o esforço de quem sustenta a cadeia do cacau com trabalho duro no campo. O futuro da produção depende de regras claras  e de respeito ao produtor.

Fonte: Cacau Hoje

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