ANPC FAZ ALERTA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS E COBRA AÇÃO IMEDIATA DO MAPA

Nesta terça-feira (20), a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) levou um forte apelo ao plenário da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Em audiência pública, a presidente da entidade, Vanuza Barroso, alertou para o avanço da Monilíase no Brasil e cobrou providências urgentes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para evitar […]

Nesta terça-feira (20), a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) levou um forte apelo ao plenário da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Em audiência pública, a presidente da entidade, Vanuza Barroso, alertou para o avanço da Monilíase no Brasil e cobrou providências urgentes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para evitar uma nova tragédia na cacauicultura nacional.

A audiência contou também com a presença do renomado fitopatologista Dr. Jadergudson Pereira, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), referência nacional em doenças fúngicas do cacaueiro. Com vasta experiência na pesquisa e manejo da Monilíase e da vassoura-de-bruxa, o Dr. Jadergudson tem contribuído ativamente com estudos e estratégias de contenção de pragas e doenças que afetam a cacauicultura. Sua participação foi fundamental para embasar tecnicamente os alertas feitos pela ANPC, reforçando os riscos iminentes que a Monilíase representa para a cadeia produtiva do cacau no Brasil.

Em um discurso firme, Vanuza lembrou os impactos devastadores causados pela vassoura-de-bruxa nas lavouras brasileiras. “Estamos nos reerguendo sozinhos, com muito esforço. Não podemos permitir que uma nova tragédia se repita. Se a Monília chegar, o impacto será devastador. De quem será a responsabilidade desta vez? Do produtor novamente?”, questionou, representando os 100 mil produtores de cacau em todo o país.

Durante a audiência, a ANPC apresentou quatro reivindicações centrais ao MAPA:

  1. Atualização do Plano Nacional de Combate à Monilíase, com reclassificação dos estados da Bahia e do Espírito Santo para nível de risco alto, considerando o movimento intenso no parque moageiro de Ilhéus (BA).
  2. Revisão imediata da Instrução Normativa nº 112, com foco na retirada da autorização de comercialização das amêndoas tipo I e  II, uma vez que estudos recentes indicam que essas amêndoas podem carregar o fungo da Monilíase, mesmo quando aparentemente sadias. A comercialização desses tipos representa um sério risco de disseminação da doença entre regiões produtoras.
  3. Criação de um Protocolo Emergencial para garantir segurança no transporte de amêndoas para o parque moageiro.
  4. Implantação de uma unidade processadora na região Norte, com foco na produção de nibs, garantindo transporte mais seguro e proteção econômica aos produtores locais. Essa medida também ajudaria a conter o avanço da doença para os estados do Nordeste e Sudeste.

A Monilíase já foi detectada nos estados do Acre e do Amazonas, e sua expansão para outras regiões pode representar um golpe duríssimo para a produção nacional de cacau.

“A ameaça é real. Precisamos agir agora”, reforçou Vanuza. Para a ANPC, o combate à Monilíase exige esforço coletivo, com participação ativa de toda a cadeia produtiva, apoio técnico, políticas públicas eficazes e protocolos fitossanitários rigorosos.

O momento, segundo a entidade, é de união, responsabilidade e ação rápida. A prevenção é a única forma de evitar que o Brasil, mais uma vez, veja sua cacauicultura à beira do colapso.

Fonte: Cacau Hoje

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