Mercado do Cacau registra correção técnica e segue pressionado por incertezas climáticas e estoques crescentes na data de hoje, 10 de junho de 2025.
Depois de registrar uma sequência de valorização expressiva desde o início do mês, o mercado futuro do cacau iniciou a semana com uma leve retração nos contratos negociados na ICE Futures de Nova York. O vencimento de julho/25 encerrou o pregão de segunda-feira (9) cotado a US$ 10.143 por tonelada, marcando uma queda de 1,13% no dia. Ainda assim, o mercado acumula ganhos de mais de 8% no mês e quase 12% no acumulado de 12 meses.
Apesar da queda pontual, analistas consideram o movimento como uma correção técnica natural, especialmente após o rompimento da barreira psicológica dos US$ 10 mil na última semana. O mercado parece respirar antes de decidir se seguirá sua tendência de alta sustentada por fundamentos de oferta restrita e riscos climáticos persistentes nas regiões produtoras da África Ocidental.
Clima adverso e preocupações com a safra africana.
A principal origem global do cacau, a Costa do Marfim, tem enfrentado volumes de chuva abaixo da média nas últimas semanas, especialmente nas regiões de Daloa, Soubre e San Pedro. Esses atrasos pluviométricos elevam as preocupações sobre o desenvolvimento da safra intermediária, crucial para o abastecimento do segundo semestre.
Além disso, problemas fitossanitários, como a propagação de doenças fúngicas, adicionam uma camada extra de incerteza para o equilíbrio global de oferta.
Estoques sobem, mas demanda continua firme
Enquanto o lado climático aponta para possível aperto na oferta, os estoques certificados da ICE têm mostrado recuperação. O volume subiu de cerca de 1,2 milhão para 2,2 milhões de sacas em apenas quatro meses. Esse crescimento, no entanto, não é suficiente para reverter o viés estrutural de déficit que vem se consolidando desde o final de 2023.
No campo da demanda, as indústrias moageiras da Europa e da Ásia têm mantido níveis relativamente estáveis de processamento, mesmo com o impacto do preço elevado sobre margens operacionais. O movimento sugere que a indústria, por ora, absorve os custos para garantir oferta, evitando repassar totalmente o aumento ao consumidor final.
Tendência técnica: lateralização no curto prazo
O cenário gráfico atual mostra o cacau entrando numa fase de consolidação. Indicadores técnicos divergem: enquanto o RSI e o MACD não sinalizam força direcional clara, osciladores como o Williams %R apontam para leve pressão vendedora. O mercado opera num canal entre US$ 10.000 e US$ 10.300, e um rompimento fora desse intervalo pode destravar nova tendência.
Por ora, a leitura técnica é de neutralidade, o que exige cautela tanto para posições compradas quanto vendidas. Estratégias de proteção (hedge) para produtores ou indústrias são recomendadas até que haja confirmação de quebra de resistência ou suporte.
Perspectivas e recomendações
O comportamento do mercado nesta semana deverá ser fortemente influenciado por:
Relatórios climáticos nas regiões produtoras da África;
Atualizações dos embarques da Costa do Marfim e Gana;
Níveis de moagem industrial na Europa (dados trimestrais previstos para os próximos dias);
Sinais de reposição de estoques físicos nos portos.
Diante disso, o viés estrutural ainda é altista, sustentado por fundamentos de oferta limitada e incertezas climáticas. No entanto, o curto prazo pode apresentar volatilidade e oportunidades pontuais de realização de lucros ou entrada técnica.
Fonte: Cacau Hoje
