Fabricante de chocolates amplia investimentos em tecnologia israelense que produz cacau a partir de células cultivadas em biorreatores.
Diante do cenário de preços recordes do cacau no mercado internacional, a gigante do setor de alimentos Mondelez International decidiu reforçar sua aposta em alternativas tecnológicas para garantir a produção de chocolate. A empresa, dona de marcas como Toblerone e Milka, anunciou um novo aporte na Celleste Bio, startup israelense especializada em cultivo celular de cacau.
A Celleste desenvolve manteiga de cacau e cacau em pó a partir de células vegetais cultivadas em biorreatores, o que elimina a necessidade do cultivo tradicional da planta. Essa é a segunda vez que a Mondelez investe na empresa, por meio do seu braço de inovação SnackFutures. Os valores do novo investimento, no entanto, não foram divulgados.
Segundo Richie Gray, líder global da SnackFutures, o fornecimento sustentável de cacau é uma prioridade estratégica para a companhia, que projeta um crescimento de 10% na demanda por chocolate.
A valorização do cacau no mercado internacional tem pressionado as indústrias do setor. A escalada nos preços está relacionada a quebras de safra na África Ocidental, em função de doenças e eventos climáticos extremos.
Para contornar os desafios de oferta, empresas do setor têm buscado alternativas, desde reformulações nos sabores até a adoção de tecnologias inovadoras. A Mondelez vê no cultivo celular uma via promissora para diversificar o acesso a ingredientes essenciais da produção de chocolate. .
Produção escalável e identidade preservada
Apesar dos entraves técnicos e financeiros que dificultam a produção em larga escala, a Celleste acredita ter encontrado um caminho mais viável. De acordo com a CEO da empresa, Michal Beressi Golomb, as células vegetais utilizadas são mais baratas e simples de cultivar. Ela defende ainda que, diferentemente de produtos substitutos do chocolate, os ingredientes produzidos pela Celleste são idênticos aos convencionais, com a diferença de serem cultivados em laboratório, não no campo.
A previsão da startup é que a manteiga de cacau cultivada em biorreatores esteja disponível no mercado a partir de 2027, com o pó de cacau sendo lançado logo em seguida. A meta é oferecer ambos com preços equivalentes aos ingredientes tradicionais.
No entanto, a maior barreira para a entrada comercial dos produtos pode estar na regulação. Embora sejam quimicamente iguais ao cacau convencional, os novos processos de produção exigem autorizações específicas em mercados como Estados Unidos e União Europeia.
Fonte: Bloomberg
